quarta-feira, 2 de março de 2016

Bobo da Corte

Tu sabes que eu não sou uma pobre ingénua. Encenar contigo torna-se profundamente sedutor, misterioso e sexual. Sabes bem que é puro espetáculo. Sabes também que quando quiseres, quando te apetecer... podes retirar a minha máscara e eu fico exposta. Ainda assim não retiras... porque gostas de me ver fazer figura de palhaça. E por incrível que pareça... Eu acho isso cativante. É como se eu fosse o teu bobo da corte favorito.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Fagulha e Gasolina

És adorável, a tua ternura é densa e está repleta de escuridão. És tão profundo e tão escuro que dificilmente te poderia chamar de terno, no entanto.... és adorável.... és amável.

Ainda assim, não restam dúvidas que matérias insólitas se escondem por detrás dessa faceta boa. Boa... Porque tu queres parecer bom. Mas tu deslizas nos teus próprios destroços, esses pedaços de carne que te caem ao chão, resultantes da tua própria incerteza. Aqueles que tu abandonas, que arrebatas do teu próprio corpo enquanto procuras pela tua forma ideal. Esses que preenchem o teu ser e o teu mundo de restos e de sangue imundo. E é quando deslizas, quando mostras o teu lado mais frágil que eu me apercebo de que algo realmente insólito e não resolvido se encontra presente.

Tu sabes usar isso a teu favor... para seduzir-me com mistério, atraindo-me para um mundo oculto, diferente, intenso. No entanto, tu doseias muito bem a imundice. Esse veneno delicioso que colocas em cada dose de sedução que me ofereces. Sabes que se colocares demasiado eu terei uma overdose e afastar-me-ei de ti, receosa. 

És perigoso, mas eu sei... eu sei que tu sabes que eu sei. Que eu sei que tu és imundo.